agosto 01, 2009 |
APOLOGIA

O
lançamento do APOLOGIA surge como o primeiro gesto da primeira raiz que rompe a semente.
A gente que fez meia sala do auditório da biblioteca municipal de Tomar, ao mesmo tempo que do outro lado da cidade se realizava uma homenagem a Manuel de Oliveira, deliciava-se com a brisa de poesia e discurso que reinaram durante a tarde de 13 de Junho.
António Manuel Ribeiro, autor do prefácio e primo, um dos génios fundadores do rock português, em conjunto com o notável Carlos Moisés e o editor Adélio Amaro, tornaram o momento em primazia, enriquecendo-o pelo saber das suas notáveis palavras.
Um dia que esconde a privacidade, o trabalho árduo por detrás do mundo, aquele que viveu em jogo na organização. Mas foi, sem raiz de arrependimento, neste mundo de interesses, onde vivi gratificado, por tal esforço, que sem dúvidas ficou imortalizado em mim e por quem o viveu.
Foi bom parar neste dia, estar ali sentado e ter perante nós actores, recitadores de poesia, artistas consagrados, e um livro que fez juntar toda aquela gente para dizer a sua nascença. O primeiro filho.
O Pedro Fabrica e a Tânia Querido, da Escola de teatro Raul Solnado, com encenação preparada por José Renato Solnado, transformaram e deram inicio à apresentação, fizeram descobrir em palco o primeiro conto (“Na voz dos Deuses, a Poesia”) presente no livro, a chama que enche o imaginário humano de quem lê e tenta descobrir a vida que existe nas palavras que percorrem as folhas.
O Pedro Silva e a Vera Bártolo deram, também eles, uma vida especial ao recitarem poemas presentes no APOLOGIA.
Mesmo que as lembranças se deixem ir dormindo na memória de quem assistiu, a maçã e o sabor do palco deste dia ficou de certo em suas mentes. Há memórias que um poema não esquece.
João Amendoeira
(na fotografia, da esquerda para a direita, Adélio Amaro (Folheto Edições), Carlos Moisés (Quinta do Bill), João Amendoeira, António Manuel Ribeiro (UHF))
Publicado por Poetasamigos em 02:43 PM
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junho 14, 2009 |
Sempre Mais

S
erás sempre mais do que algo mais,
mais que um sorriso nesse teu olhar justo bem definido,
onde nasce a coragem sincera por demais,
por mais que esteja, que seja, o teu sorriso guarnecido.
Porque um dia é mais um passo, e um passo é mais um dia,
mesmo que a correr por demais no inconsciente,
sorrir é bom, tal como a certeza da poesia,
ao adormecer todos somos anjos num sono inocente.
João Amendoeira
In "Apologia: Há memórias que um poema não esquece". Folheto Edições, 2009.
(prefácio de António Manuel Ribeiro)
DISPONÍVEL AQUI
Publicado por Poetasamigos em 09:56 AM
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março 22, 2009 |
Sede

D
as mãos como sede
Madrugo como quem o destino escreve
e procura de pé seu sonho mais verde
como a noite serena e breve
não resta ao mundo que entender
de me entender onde não estão
os próprios que devem entender
os pássaros e o sentido da paixão,
das mãos como sede
madrugo meu próprio voo, a vida,
abrindo no resguardo, as asas, o sonho mais verde,
abre, o silêncio do vazio da partida,
lá do cimo das raízes desta madrugada por morrer,
a vida, convoquei meus sonhos em bandos
nas árvores falantes que me viram nascer,
para termos tantos caules quanto anos.
João Amendoeira
in Poiesis XVII, Editorial Minerva, 2009.
Publicado por Poetasamigos em 02:29 PM
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janeiro 31, 2009 |
Vida

D
epois da tempestade que evadiu a terra
Os ecos regressam levantando os caules
cheios de sonhos de criança eterna
e corações que percorrem montes e vales
cheios de vida. Os caules, a vida, que levantam o mundo.
haja, o amor e a leveza de um ramo renascido,
o raiar do amanhecer que ilumina o fundo,
o canto mais belo, que move o mais íntimo sentido
do mundo, o mundo.
João Amendoeira
Publicado por Poetasamigos em 07:47 PM
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dezembro 27, 2008 |
Amigo que chora contigo

Q
uando choras
eu choro contigo,
sou teu amigo,
nunca te hei-de abandonar.
Tenho um aperto no coração quando estás triste.
Hoje desapertou, um pouco, quando sorriste.
João Amendoeira (Poema e Fotografia)
In "Apologia: Há memórias que um poema não esquece". Folheto Edições, 2009.
(prefácio de António Manuel Ribeiro)
Publicado por Poetasamigos em 12:24 PM
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novembro 16, 2008 |
A Flor do Tempo

O
ntem…
resplandecias em pleno encanto
teu olhar repousava
em silêncio enchente no meu
e o silêncio tanto
de sorrisos culminantes
de ambos
meu e teu.
Nós,
olhos cintilantes,
sentidos esculpidos, arrepios sentidos,
mostrando-te o meu olhar completo,
a paz do acreditar,
nas horas abertas e tranquilas para te amar.
Se assim for o teu sonho, que seja, segredo de qualquer momento
e da orquestra do silêncio de quem sente e dá, o Amor, a Flor do Tempo.
João Amendoeira (Poesia e Fotografia)
in POIESIS - Vol. XVI, EDITORIAL MINERVA, 2008.
Publicado por Poetasamigos em 04:08 PM
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outubro 26, 2008 |
Da mesma árvore

O
amor nasce da fonte renascida.
A minha é da mesma árvore, de raízes sem nome,
cujo infinito se expande em terra meio adormecida,
de agilidade a vida. Sonho delicado de mãos como fome.
Como sentisse sempre o teu rosto que o meu aquece.
É assim a minha árvore, que sempre em ti permanece,
adormece.
João Amendoeira
Publicado por Poetasamigos em 03:23 PM
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setembro 25, 2008 |
Tua e Minha

H
oje estive
Longe tão longe de ti,
Saudade de tão longe sinto
De teus olhos luminosos que descobri
Tuas mãos, tua pele, teu instinto,
De tão longe, que tão longe,
saudade, tua e minha,
ninguém sabe quanta,
quanto de tanto não adivinha
agora, mão na mão, tua e minha, paz tanta.
João Amendoeira
Publicado por Poetasamigos em 09:12 PM
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agosto 18, 2008 |
Sede

D
as mãos como sede
Madrugo como quem o destino escreve
E procura de pé seu sonho mais verde
Como a noite serena e breve
Não resta ao mundo que entender
De me entender onde não estão
Os próprios que devem entender
Os pássaros e o sentido da paixão,
Das mãos como sede
Madrugo meu próprio voo, a vida,
Abrindo no resguardo, as asas, o sonho mais verde,
Abre, o silêncio do vazio da partida,
Lá do cimo das raízes desta madrugada por morrer,
A vida, convoquei meus sonhos em bandos
Nas árvores falantes que me viram nascer,
Para termos tantos caules quanto anos.
João Amendoeira
Publicado por Poetasamigos em 05:51 AM
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julho 20, 2008 |
Chuva de agora

D
a tua voz saem meus próprios sentidos.
Sem que visses o dispersar disparatado da aurora
Meus sentidos se apagam aos poucos. Perdidos.
Sem que dês conta concisa da minha chuva de agora
Que teima como perfume de lava em não ir embora.
Como ardem, arde e doem-me as raízes,
Ventos fora, no alto, ramos dispersos, nus e cicatrizes.
João Amendoeira
Publicado por Poetasamigos em 04:01 PM
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