Quinta-feira, 25 de Agosto de 2005
Poesia

Rochas.JPG Depois de arrumar algumas gavetas, encontrei alguns textos, entre os quais uma narrativa por concluir, que escrevi há cerca de três anos. Antes de voltar para a gaveta achei interessante publicar aqui, sem revelar a sua história, uma pequena parte dessa narrativa
dedicada à poesia, pertencente a uma personagem chamada Manuel, um apaixonado por poesia que procura a origem dos seus poemas.

"N
aquele dia apetecia-me escrever de tudo, no entanto não sabia bem o quê. Comecei por fazer poesia. A poesia faz-se. A poesia é algo natural, é a forma bruta dos nossos pensamentos, ela é o que eu sinto, o que eu penso, a frustração do meu pensar, a minha maneira de ser. A poesia faz parte das coisas belas, das coisas belas que o Homem faz. É uma arma do escritor, fá-lo sentir poderoso, capaz, fá-lo sentir mais do que pensa ser, fá-lo ir mais longe e descobrir o que realmente é, o que realmente consegue ser escrevendo. Depois também existe a paixão e o vício de se ser poeta, de fazer poesia. E eu sou viciado (…) Concentrei-me, desapareci. O espaço e o tempo desapareceram. Tudo ficou escuro à minha volta, e comecei a escrever. Quando se escreve, a poesia ouve-se e toca no coração. O seu som existe no pensamento, são palavras que fazem, e por vezes não fazem sentido, são sons de tranquilidade ou agitação, de águas que atravessam pedras descendo montes, é o som dos ramos das árvores que imitam a chuva, (…) é o som de tudo, daquilo que temos dentro de nós, é o som dos nossos neurónios que nos trazem recordações e permitem relacionar pensamentos. Por vezes observo o que me rodeia, observo aquela escuridão cheia de silêncio, onde vagueiam palavras perdidas, onde existem seres perdidos e imaginários, onde se fogueiam frases que rimam e não rimam. Talvez seja a própria escuridão a sua origem. (…) A porta estava aberta e a aragem fresca com sabor a flores do campo a entrar. (…) A calma, a paz e a serotonina. A serotonina faz parte de um complexo mundo, faz parte de mecanismos a nível nervoso, e a sua produção considerável faz com que nos sintamos melhor. Bateram à porta que estava aberta, era a Teresa (…)”João Peixoto (texto e fotografia)



publicado por Joao Amendoeira às 14:46
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7 comentários:
De Piedade Arajo Sol a 28 de Agosto de 2005 às 15:59
A poesia faz parte das coisas belas!!!!Pois faz.... bonito texto


De Mnica a 26 de Agosto de 2005 às 22:18
João, acho que disseste tudo. Amas a poesia e ela faz parte de ti! Continua a verter a tua alma, os teus sentimentos, continua a dar-te a conhecer, as tuas palavras são o teu espelho :-)Beijos


De angelis a 26 de Agosto de 2005 às 17:18
As palavras são os sons da alma, revestidas com as cores dos sentimentos e das emoções...mais palavras para quê? Tua narrativa diz tudo, mesmo sendo inacabada. Beijinho bom fim de semana


De Anjinho a 26 de Agosto de 2005 às 15:51
Completamente sem palavras, usas palavras muito apropriadas, gostei! Continua! :)


De Giraflor a 26 de Agosto de 2005 às 15:04
Gostei muito! Mesmo que não acabes essa tua narrativa(eu cá acho que devias), já disseste tudo =)***bj


De Sofia a 25 de Agosto de 2005 às 21:40
Texto e foto maravilhosos. Beijinho


De Maria do Cu a 25 de Agosto de 2005 às 20:35
Neste momento acho que deves também ler com atenção todas as palavras que nos transmites neste post, e não te esqueças elas (palavras) sairam de ti... e mesmo que não venhas a terminar este teu texto, ele já tráz a mensagem precisa. Percebeste certamente... Beijinhos.


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